Há duas maneiras de explicar a existência deste blog. Ou existiu realmente um maço de papéis amarelados e desiguais, em que se encontram registrados um a um os últimos pensamentos de um miserável, ou então foi um homem, um sonhador ocupado em observar a natureza em proveito da arte, um filósofo, um poeta — que sei eu? —, de quem esta idéia que o tomou, ou antes, pela qual se deixou tomar e de que só se pode desembaraçar lançando-a ao espaço.
18 fevereiro 2012
Peguei carona em um Chevrolet pela estrada de Santos
Coberta de relvas soltas emolduradas ao vento
Procurei poema em rima perfeita
Encontrei poema em linha reta
Tinta e pincel em tela irreal onde erro se faz arte
Simpatia,intuição,inteligência,compreenssão
Mergulhar simbolos ancestrais
Dia perfeito chicoteia o teto.
sergio yzumida
28 junho 2009
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Silêncio tergiversa palavra
na caneta tinteiro vazia.
Estamos a um clique
de final e início de poço.
Mishima louva samurais,
Lennon vendavais.
Torres sustentam
cabos em alta tensão,
energia garantida
no aparelho tele-visão.
Final de tarde de domingo.
Caminho do mar adormece
no esquecido dormente de trilho.
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SergioYzumida
13 maio 2009
Cópia em sépia de tudo que vi sem viajar
Se viajasse encontraria imagens amorfas
Crateras savanas esferas cataratas
Nunca desembarcamos de nós mesmos
Corre a vida como corre água de rio
Fluxo e refluxo nos olhos contemplativos
Fundo vísivel das folhas do além mar
Alçar vôo e polimerizar solo em poesia
Harpa preguiçosa no roçar de dedos
Profusão de emanharado
Todo verdor faz parte do meu sangue
Dialética consciência de som e cor
Colorido no colorido de sonho e vigília
Ócio entrelaçado à rede de entardecer
Crateras savanas esferas cataratas
Nunca desembarcamos de nós mesmos
Corre a vida como corre água de rio
Fluxo e refluxo nos olhos contemplativos
Fundo vísivel das folhas do além mar
Alçar vôo e polimerizar solo em poesia
Harpa preguiçosa no roçar de dedos
Profusão de emanharado
Todo verdor faz parte do meu sangue
Dialética consciência de som e cor
Colorido no colorido de sonho e vigília
Ócio entrelaçado à rede de entardecer
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Sergio Yzumida
07 maio 2009
Alinhar em gavetas irreais peões de xadrez
Figuras constantes e vivas que habitam sonhos
Ausência de saudade do que nunca foi
Conversas soltas na cafeteria imaginária
De febre, dor e amor que sei eu???
Hortas, pomares e alamedas silenciosas
Ergo a cabeça por sobre o papel onde descrevo
Inencontráveis ilhas de isolado sonhar
Ecoa na sala um pensamento visível
Figuras paralelas à janela de dentro de mim
Hoje acordei estrangulado por relógio de ponto
Embate incógnito de fundo obscuro de alma
Desperta a rua por baixo de mim
Abaixo de toda angústia dos seres encouraçados
Escrevo estas linhas como quem quer sentir que vive
Mítico significado insignificante de todas as coisas
Cresce flor de estufa sem conhecer chuva e sol
De vez em quando ergo a cabeça das imagens do papel
Quem sou por trás desta irrealidade??
Sergio Yzumida
26 abril 2009

Rua deserta repleta de gente
Invisível multidão anônima a dizer
Em seu modo de dizer nada a dizer
Ajustam-se sensações dentro de nós
Burbúrio no murmúrio de vozes caladas
Tênue intervalo de trovejar e silenciar
Não há espelho que nos dê outra alma
Abismo entre o que somos aqui
E o que somos do lado de lá
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Eles querem nossos olhares esquecidos
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Sonhos que podemos ser
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Horas ocasionais de consciência por dentro
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Sérgio Yzumida
20 abril 2009
Pouco me Importa
31 dezembro 2008

Décimo segundo andar
Multiplico heterônimos
Colho além do etérico
Que é longa-vida-idade
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Distante Maria fumaça
Esfumaçada janela de escritório
Buzinas insistentes
Mobilidade contida em semáforo
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Chacoalhos de vão vagão vão
Lastro de carruagens
Isentas de cavalos e bois
Toco vida longa idade
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Num mundo de automóveis de grande velocidade
Coleciono na estante pequeninas histórias
Roupas brincam estendidas em pequeno quintal
Alucinada lógica implícita no mito-lógico
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Sérgio Yzumida
06 julho 2008
25 junho 2008
16 junho 2008
Dentro é dia de meus anos
Fora? Todo o mundo lá fora!
Hora de velhas palavras virem a tona
Mercúrio ilumina a rua deserta
Hermes e Gilda dormem satisfeitos
Qual a temperatura das águas de Camburiú?
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Dentro é dia de meus anos
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Paciente tabuleiro montado
Tranquila poeira aguarda movimento de peão
Atentas corujas guardam o baú fechado
Hora de todas as palavras virem a tona
Calada noite ouve apito noturno de guarda
Paralelepipedos repousam sob o asfalto
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Amanhã é dia de meus anos
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Sergio Yzumida
23 maio 2008
Abrir guarda roupas
a guardar roupas
tecidas em tear imaginário.
Agosto, setembro,
outubro, novembro.
Lua cheia plena ao meio dia.
Gato branco aninhado
ronrona histórias
de árvores silenciosas.
Roupas a brincar estendidas no varal.
Sou do tamanho do todo vivido.
Todos somos autistas.
Controle remoto parte
quando vai ao chão.
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Sérgio Yzumida
23 dezembro 2007
Silencioso caminho a Gólgota,
imobilismo inerte,
moroso,
pelas ruas,
pelas estreitas vielas.
Caminhar silencioso a Gólgota,
contínuo,
intermitente ondulação de oceano.
Reis, mandarins, czares,
navegam em diligências
em nefasto fausto negligente.
Desconectados de alheios neurônios,
tornam prisões seus palácios.
Moscas sobrevoam
costas dos elefantes.
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Eterno e único caminho a Gólgota,
alentado suor,
atalho celestial.
08 dezembro 2007
bolhas de sabão
Inconsciente coletivo,
em coletiva consciência
todo tipo de arquétipo.
Casa construída, constituída,
à beira de todo lago,
porão explícito em luz.
sérgio yzumida
17 outubro 2007
Hipnótico cotidiano
silenciosas gotas a devastar
impérios de beatos lobi-s-homens.
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Em invisível cauda de cometa
velado anonimato de falso brilhante,
catapulta a vomitar pedras inertes,
perfume barato de todo cativeiro.
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Hipnótico cotidiano.
Você não sabe o que vai.
Você não sabe o que fica.
Arco-íris des-estrelado perde gira-s-sol.
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De um arco-íris se sabe o que é.
Se sabe o que é.
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Sérgio Yzumida
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