28 junho 2009

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Silêncio tergiversa palavra
na caneta tinteiro vazia.
Estamos a um clique
de final e início de poço.
Mishima louva samurais,
Lennon vendavais.
Torres sustentam
cabos em alta tensão,
energia garantida
no aparelho tele-visão.
Final de tarde de domingo.
Caminho do mar adormece
no esquecido dormente de trilho.
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SergioYzumida

13 maio 2009




Cópia em sépia de tudo que vi sem viajar
Se viajasse encontraria imagens amorfas
Crateras savanas esferas cataratas
Nunca desembarcamos de nós mesmos
Corre a vida como corre água de rio
Fluxo e refluxo nos olhos contemplativos
Fundo vísivel das folhas do além mar
Alçar vôo e polimerizar solo em poesia
Harpa preguiçosa no roçar de dedos
Profusão de emanharado
Todo verdor faz parte do meu sangue
Dialética consciência de som e cor
Colorido no colorido de sonho e vigília
Ócio entrelaçado à rede de entardecer
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Sergio Yzumida

07 maio 2009



Alinhar em gavetas irreais peões de xadrez
Figuras constantes e vivas que habitam sonhos
Ausência de saudade do que nunca foi
Conversas soltas na cafeteria imaginária
De febre, dor e amor que sei eu???
Hortas, pomares e alamedas silenciosas
Ergo a cabeça por sobre o papel onde descrevo
Inencontráveis ilhas de isolado sonhar
Ecoa na sala um pensamento visível
Figuras paralelas à janela de dentro de mim
Hoje acordei estrangulado por relógio de ponto
Embate incógnito de fundo obscuro de alma
Desperta a rua por baixo de mim
Abaixo de toda angústia dos seres encouraçados
Escrevo estas linhas como quem quer sentir que vive
Mítico significado insignificante de todas as coisas
Cresce flor de estufa sem conhecer chuva e sol
De vez em quando ergo a cabeça das imagens do papel

Quem sou por trás desta irrealidade??


Sergio Yzumida



26 abril 2009




Rua deserta repleta de gente
Invisível multidão anônima a dizer
Em seu modo de dizer nada a dizer
Ajustam-se sensações dentro de nós
Burbúrio no murmúrio de vozes caladas
Tênue intervalo de trovejar e silenciar
Não há espelho que nos dê outra alma
Abismo entre o que somos aqui
E o que somos do lado de lá
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Eles querem nossos olhares esquecidos
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Sonhos que podemos ser
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Horas ocasionais de consciência por dentro
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Sérgio Yzumida

20 abril 2009

Pouco me Importa



Pouco me importa.
Pouco me importa o que?
Não sei: pouco me importa.


in Poemas Inconjuntos; Caeiro, Alberto