13 maio 2009




Cópia em sépia de tudo que vi sem viajar
Se viajasse encontraria imagens amorfas
Crateras savanas esferas cataratas
Nunca desembarcamos de nós mesmos
Corre a vida como corre água de rio
Fluxo e refluxo nos olhos contemplativos
Fundo vísivel das folhas do além mar
Alçar vôo e polimerizar solo em poesia
Harpa preguiçosa no roçar de dedos
Profusão de emanharado
Todo verdor faz parte do meu sangue
Dialética consciência de som e cor
Colorido no colorido de sonho e vigília
Ócio entrelaçado à rede de entardecer
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Sergio Yzumida

07 maio 2009



Alinhar em gavetas irreais peões de xadrez
Figuras constantes e vivas que habitam sonhos
Ausência de saudade do que nunca foi
Conversas soltas na cafeteria imaginária
De febre, dor e amor que sei eu???
Hortas, pomares e alamedas silenciosas
Ergo a cabeça por sobre o papel onde descrevo
Inencontráveis ilhas de isolado sonhar
Ecoa na sala um pensamento visível
Figuras paralelas à janela de dentro de mim
Hoje acordei estrangulado por relógio de ponto
Embate incógnito de fundo obscuro de alma
Desperta a rua por baixo de mim
Abaixo de toda angústia dos seres encouraçados
Escrevo estas linhas como quem quer sentir que vive
Mítico significado insignificante de todas as coisas
Cresce flor de estufa sem conhecer chuva e sol
De vez em quando ergo a cabeça das imagens do papel

Quem sou por trás desta irrealidade??


Sergio Yzumida