19 maio 2014






                                                         

                                                 
   

                                           
                                                Noturnas
ruas em São Paulo;
úmida saudade
brilha sob garoa.
São João, Ipiranga, praças em luz,
esquinas avenidadas em menina.
Um velho vende bolhas de sabão,
um menino o girar de globo terrestre.
Forma e conteúdo de praça da republica,
Varela em largo de são Francisco camuflado sorri.
Assovio de Adoniran em lábios anônimos
no carteiro a descer  ladeira.
Aceno riscado em céu de primavera.



Sergio Yzumida







07 março 2012




Sacos negros sonolentos sob chuva ininterrupta
Telhados com amianto resistem aos ventos
Asfalto indiferente às cores do semáforo
Monopólio de força desfeito
Ampulheta esquecida deitada

Lento relento de luzes a apagar devagar
Praças vazias de gargalhadas


Birutas ao sabor dos ventos


Dorme a cidade



                               Sergio Yzumida






06 março 2012




                         Sonho projetado no mundo exterior
                    Inquisição a queimar verdade pessoal
                    Remota manifestação de fogo ou água
                    Inexistem respostas absolutas

                    Tudo flui... nada é perene


                                                 Sergio Yzumida

18 fevereiro 2012

   

     Peguei carona em um Chevrolet pela estrada de Santos
          Coberta de relvas soltas emolduradas ao vento
                  Procurei poema em rima perfeita
                    Encontrei poema em linha reta

      
    Tinta e pincel em tela  irreal onde erro se faz arte
            Simpatia,intuição,inteligência,compreenssão
                  Mergulhar simbolos ancestrais
                     Dia perfeito chicoteia o teto.
                     
                                                     sergio yzumida

28 junho 2009

Posted by Picasa
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Silêncio tergiversa palavra
na caneta tinteiro vazia.
Estamos a um clique
de final e início de poço.
Mishima louva samurais,
Lennon vendavais.
Torres sustentam
cabos em alta tensão,
energia garantida
no aparelho tele-visão.
Final de tarde de domingo.
Caminho do mar adormece
no esquecido dormente de trilho.
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SergioYzumida

13 maio 2009




Cópia em sépia de tudo que vi sem viajar
Se viajasse encontraria imagens amorfas
Crateras savanas esferas cataratas
Nunca desembarcamos de nós mesmos
Corre a vida como corre água de rio
Fluxo e refluxo nos olhos contemplativos
Fundo vísivel das folhas do além mar
Alçar vôo e polimerizar solo em poesia
Harpa preguiçosa no roçar de dedos
Profusão de emanharado
Todo verdor faz parte do meu sangue
Dialética consciência de som e cor
Colorido no colorido de sonho e vigília
Ócio entrelaçado à rede de entardecer
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Sergio Yzumida

07 maio 2009



Alinhar em gavetas irreais peões de xadrez
Figuras constantes e vivas que habitam sonhos
Ausência de saudade do que nunca foi
Conversas soltas na cafeteria imaginária
De febre, dor e amor que sei eu???
Hortas, pomares e alamedas silenciosas
Ergo a cabeça por sobre o papel onde descrevo
Inencontráveis ilhas de isolado sonhar
Ecoa na sala um pensamento visível
Figuras paralelas à janela de dentro de mim
Hoje acordei estrangulado por relógio de ponto
Embate incógnito de fundo obscuro de alma
Desperta a rua por baixo de mim
Abaixo de toda angústia dos seres encouraçados
Escrevo estas linhas como quem quer sentir que vive
Mítico significado insignificante de todas as coisas
Cresce flor de estufa sem conhecer chuva e sol
De vez em quando ergo a cabeça das imagens do papel

Quem sou por trás desta irrealidade??


Sergio Yzumida



26 abril 2009




Rua deserta repleta de gente
Invisível multidão anônima a dizer
Em seu modo de dizer nada a dizer
Ajustam-se sensações dentro de nós
Burbúrio no murmúrio de vozes caladas
Tênue intervalo de trovejar e silenciar
Não há espelho que nos dê outra alma
Abismo entre o que somos aqui
E o que somos do lado de lá
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Eles querem nossos olhares esquecidos
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Sonhos que podemos ser
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Horas ocasionais de consciência por dentro
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Sérgio Yzumida

20 abril 2009

Pouco me Importa



Pouco me importa.
Pouco me importa o que?
Não sei: pouco me importa.


in Poemas Inconjuntos; Caeiro, Alberto

31 dezembro 2008





Décimo segundo andar

Multiplico heterônimos

Colho além do etérico

Que é longa-vida-idade

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Distante Maria fumaça

Esfumaçada janela de escritório

Buzinas insistentes

Mobilidade contida em semáforo

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Chacoalhos de vão vagão vão

Lastro de carruagens

Isentas de cavalos e bois

Toco vida longa idade

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Num mundo de automóveis de grande velocidade

Coleciono na estante pequeninas histórias

Roupas brincam estendidas em pequeno quintal

Alucinada lógica implícita no mito-lógico

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Sérgio Yzumida

06 julho 2008


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Ir responsável.

Olhos de cristal.

Ouvir estrelas

por pseudo beco

dito sem saída.
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Ora direis:

perdeste o senso,

e então?
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Acordar manhã

pleno em pena e alegria.

Grãos de areia

ao Deus dará.

Segredo de sonho e realidade

em pérolas jogadas ao céu.

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Sergio Yzumida

25 junho 2008




Menos pausas

Pulsam

Libert-i-magem

Azul com

Par

Trilhar

Mirar imagem

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No mento

Gravado momento

Criar

Atividade

Em menos pausas

Pulsam

Gira-s-sóis
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Sergio Yzumida

16 junho 2008



Dentro é dia de meus anos
Fora? Todo o mundo lá fora!
Hora de velhas palavras virem a tona
Mercúrio ilumina a rua deserta
Hermes e Gilda dormem satisfeitos
Qual a temperatura das águas de Camburiú?
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Dentro é dia de meus anos
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Paciente tabuleiro montado
Tranquila poeira aguarda movimento de peão
Atentas corujas guardam o baú fechado
Hora de todas as palavras virem a tona
Calada noite ouve apito noturno de guarda
Paralelepipedos repousam sob o asfalto
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Amanhã é dia de meus anos
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Sergio Yzumida

23 maio 2008



Acordei manhã.
Preguiçosamente manhã.
Abrir guarda roupas
a guardar roupas
tecidas em tear imaginário.
Agosto, setembro,
outubro, novembro.
Lua cheia plena ao meio dia.
Gato branco aninhado
ronrona histórias
de árvores silenciosas.
Roupas a brincar estendidas no varal.
Sou do tamanho do todo vivido.
Todos somos autistas.
Controle remoto parte
quando vai ao chão.
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Sérgio Yzumida

23 dezembro 2007

Silencioso caminho a Gólgota,
imobilismo inerte,
moroso,
pelas ruas,
pelas estreitas vielas.
Caminhar silencioso a Gólgota,
contínuo,
intermitente ondulação de oceano.
Reis, mandarins, czares,
navegam em diligências
em nefasto fausto negligente.
Desconectados de alheios neurônios,
tornam prisões seus palácios.
Moscas sobrevoam
costas dos elefantes.
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Eterno e único caminho a Gólgota,
alentado suor,
atalho celestial.