23 dezembro 2007

Silencioso caminho a Gólgota,
imobilismo inerte,
moroso,
pelas ruas,
pelas estreitas vielas.
Caminhar silencioso a Gólgota,
contínuo,
intermitente ondulação de oceano.
Reis, mandarins, czares,
navegam em diligências
em nefasto fausto negligente.
Desconectados de alheios neurônios,
tornam prisões seus palácios.
Moscas sobrevoam
costas dos elefantes.
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Eterno e único caminho a Gólgota,
alentado suor,
atalho celestial.

08 dezembro 2007

bolhas de sabão



Inconsciente coletivo,
em coletiva consciência
todo tipo de arquétipo.
Casa construída, constituída,
à beira de todo lago,
porão explícito em luz.

sérgio yzumida

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17 outubro 2007



Hipnótico cotidiano
silenciosas gotas a devastar
impérios de beatos lobi-s-homens.
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Em invisível cauda de cometa
velado anonimato de falso brilhante,
catapulta a vomitar pedras inertes,
perfume barato de todo cativeiro.
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Hipnótico cotidiano.
Você não sabe o que vai.
Você não sabe o que fica.
Arco-íris des-estrelado perde gira-s-sol.
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De um arco-íris se sabe o que é.
Se sabe o que é.
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Sérgio Yzumida

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05 outubro 2007


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Varrer paisagem

cenário vem e vai e vem.

Luz e sombra,

na forma, invisíveis.

Lá fora,

aqui dentro,

sempre o mesmo lugar.

Quasares descobertos

liberta libélula.

Água infiltrando terra,

seiva compreendida.
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A luz é uma metáfora.

Sérgio Yzumida


27 setembro 2007



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Da janela aberta


vejo a rua mostrar todo universo


constelado em multidão.


Espaçado, o automóvel sucede a si mesmo.


Distante, o campo sem ruído cheira bem.


Cresce em toda célula


desejo transbordante,


brado de legião: Este sou eu!


Pequena aldeia de Caeiro



onde debruço meu querer ser.


Árvores crescem silenciosas


em variados aromas.


Em toda praça simbiose


ar de ser e ter no ar.


Harmonia das horas em silêncio.


Jonas liberto em Nínive.


Desejo transbordante,


brado de legião: Este Sou EU!



Sérgio Yzumida

25 setembro 2007

Bolhas de sabão


Asas, pequenas asas flutuam

sedentas de estrelas cadentes.



Percorre a tarde canto de cigarra,

ballet ocasional de folhas.



Bela Florbella Espanca o ar,

desfeito limiar entre casulo e borboleta.



Moinhos quixotescamente pacificados,

encanto de porto repleto de ricas especiarias.



Mensagem engarrafada lançada ao mar,

a esperar, sem pressa, ser revelada.



Pela alameda sutis lamelas em névoa,

em céu de boca, macia simetria.



Namorar em velas de Mucuripe,

flor de campo em paletó de linho branco.




Rolha de aguardente no chão.


Sergio Yzumida

12 julho 2007

16 maio 2007

radiografias de alma

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" Viver é afinar o instrumento
de dentro para fora
de fora para dentro"
Walter Franco
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Entre o que penso que sou
e aquilo que os outros
querem que eu seja
há um abismo,
onde deposito a todo momento
pequenas histórias.
Histórias de ir e vir,
radiografias de alma.
Não sinto muito
nem menos,
se não preencho quesitos
de toda etiqueta.
Em minhas veias
corre sangue de menino,
trago no olhar
o espanto e o encanto,
de meu primeiro encontro
com todo o mar.
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Sérgio Yzumida

14 maio 2007

Faz noite.

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Lento manisfestar de leque.

Noite é sono.

Sono, abrigo.

Noite é comedimento.

Luzes impermeáveis longínquas.

Noite é castelo de Morpheu.

Noite é sonhar libélula,

dia, acordar homem.

Noite é leve pouso.

Sérgio Yzumida

29 abril 2007

Mensagem

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...O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem a quais os símbolos serão para ele mortos, e ele morto para eles.
...A primeira é a simpatia. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe intérpretar.
...A segunda é a intuição. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
...A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstroi, noutro nível o símbolo.
...A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o simbolo seja iluminado por outras luzes, relacionado com outros vários símbolos, pois que no fundo, é tudo o mesmo.
...A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Senhor Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.
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in Obra poética; Pessoa, Fernando – Nova Aguilar – Rio de Janeiro, sd